domingo, 4 de maio de 2008

Contingente

Na minha próxima vida vou começar a tocar violino aos 4 anos.
Vou ser um menino de cabelo ruivo cujos olhos castanhos se iluminam sempre que vê e toca o seu violino. 
Na minha próxima vida vou amar tudo e vou intercalar piano quando estiver cansado do som do violino. 

Vou contentar-me com o que sou, com o que toco, com o que vejo e com o que dou. Vou viver no masculino e tentar perceber o feminino. 

Ou não vou ser nada disto. Ou não existe "próxima vida". 

Uma coisa é certa: nesta vida gostava de ter esta próxima vida.

Exclusividade individual

Todos temos "aquele" sítio, o nosso refúgio.

Quando lá estamos nada mais interessa. 

Pensamos em nós e para nós. 

Resolvemos, decidimos ou deixamos tudo em aberto mas é lá que o fazemos.

Pergunto-me sempre como serão os sítios das pessoas que conheço. Pergunto-me sempre se, para eles, "o sítio" terá assim tanta importância e como é que tornaram aquele sítio no seu sítio.

No meu sítio, penso nos seus sítios.

sábado, 3 de maio de 2008

(51) Sinto-me

Dentro de uma concha.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Recuei no tempo

Os homens são como os pêlos.
Custam a desaparecer. 
Temos de sofrer muito mas quando saem é um alívio. 

Hoje já não penso assim. 

Não sei se é bom ou mau mas detesto pêlos.

Não-chatices

Não-falar para não-ter-razão, para não-irritar, não-chatear e não-ser-mete-nojo-insensível-desmancha-prazeres.

Isso seria demasiado chato.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Outro Dia

Não finjas. 
Sabes que não vale a pena porque eu não te vejo, sinto-te. 
Sinto e não há nada que eu possa fazer. Por isso sangro.

Sangro sorridente para não sentires que sangro.

Sangro como quem não quer a coisa porque assim não sangras mais só porque eu sangro contigo. 
Sangramos os dois mas hoje não. Hoje vamos estancar a hemorragia.

Amanhã somos obrigados a sangrar mais um pouco. Mas amanhã é outro dia.

Escapadela

Fujo quando quero e para onde quero.
Fujo com quem quero porque só quero fugir comigo.

Corro em direcção à multidão para fugir das pessoas, saltito entre conformados e conformo-me. Sinto-me bem porque fujo quando quero e sinto-me bem por querer fugir. Fujo e continuo com todos à minha volta porque preciso de todos e porque [por mais estranho que pareça] todos parecem precisar de mim.